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Relacionamentos humanóides

A SEDUÇÃO

Segundo os livros especializados no assunto, a sedução existe desde tempos imemoriais em nossa espécie. Conta uma lenda cigana que até antes da criação do homem, o Diabo já tentava seduzir Deus para que criasse uma companhia para eles. O que ele não conseguiu é que Deus desse a ele esse presente. E diz a lenda que logo após o homem ter sido criado, Deus desceu até a terra e condenou o Diabo a viver nas profundezas por toda eternidade, pois percebeu que o Diabo não era bom amigo porque tinha inveja dele e do homem.
A Outra história é a de Adão e Eva, que foram seduzidos pela cobra a comer do fruto proibido, mal sabiam eles que estavam traçando o destino da humanidade naquele momento. A sedução é mais antiga do que podemos imaginar e sempre foi a base inicial de todos os relacionamentos de nosso planeta dos macacos.

A CONQUISTA

Esta é o prêmio da sedução, vem depois de um processo de conhecimento mútuo e aceitação das qualidades e defeitos do outro. Mas não é eterna, pois a sedução geralmente desaparece depois de um tempo que se vive numa rotina comodista. Devemos dia a dia seduzir o outro, para que a chama do que é novo nunca se apague. Mas como fazer isso se a vida é tão cruel em alguns momentos e insiste em colocar percalços no nosso caminho para que esqueçamos o quão importante é continuar a conquistar dia a dia o nosso objeto de amor.

O RELACIONAMENTO

É a melhor parte de todas nessa história toda, mesmo sendo também a mais complicada.
Nesse aspecto Deus foi um ótimo engenheiro, criou o homem e deu a ele a possibilidade de se encaixar com inúmeros outros seres, basta encontrar, testar e ver se dá certo.
E como é bom saber que existe alguém te esperando todos os dias após o trabalho. Mesmo que façamos um esforço, é impossível ser feliz sozinho. Parece que falta algo, um membro de nosso próprio corpo.
Mas são apenas divagações, quem pode afirmar que um ermitão não é feliz em sua caverna?
Alguém aqui conhece algum ermitão?

Jack

Eu estava num opala verde que virava uma esquina…

De vez em quando acontece um fenômeno que me deixa muito intrigado. É sempre num momento em que tudo está perfeito e não poderia ficar melhor que sou subitamente transportado, via imaginação e sentidos, para um lugar num passado não muito remoto que conheço mas que nunca vivi de fato. É difícil explicar, pois acontece num lugar aqui dentro que desconheço e apenas durante alguns poucos segundos. Mas é uma experiência muito doida.

O espaço-tempo

Não consigo precisar muito bem, mas parece que o tempo é no ínicio da década de 80 (eu devia ter uns 5 anos nessa época) e o espaço uma rua que passa em frente da casa onde nasci.
É num domingo, antes do habitual churrasco da igreja. O dia está ensolarado e eu estou dentro de um opala 69 verde, em alta velocidade e fazendo uma curva para entrar numa esquina. Não sei o que toca no rádio nesse momento, mas sei que a cidade está completamente deserta. Tem uma casa amarela estilo chalé que sempre olho antes de fazer a curva, parece que já vivi uma outra vida naquele lugar.

É incrível a sensação de bem estar que tenho quando volto para esse opala durante alguns segundos. Não sei porque isso acontece e deixei de procurar explicações há muito tempo.
O estranho é que desde que era criança esse evento se repete, quer dizer, eu ainda nem sabia dirigir com 8 anos de idade e mesmo assim era transportado para esse opala em alta velocidade entrando nessa esquina. Sabe o que é louco nisso tudo? Passo toda semana nesse lugar, fica perto da casa dos meus avós, mas nunca tenho a sensação de bem estar que tenho quando acontece na imaginação. É como se fosse um refúgio da minha alma, um espaço vago no passado que ela procura toda vez que se sente completa e feliz.

Não consigo interagir de forma alguma com esse momento, sou apenas um espectador. E sempre que acontece estou tão de bem com a vida que na verdade nem tento fazer nada diferente, simplesmente faço aquela curva mais uma vez e sinto aquele estado de bem-estar e felicidade que só esse opala verde pode compartilhar comigo.

Jack

Morte consumada e morte vivida

Custo a acreditar, mas é verdade… Hoje, algo que estava fazendo força para viver dentro de meu ser, foi brutalmente assassinado. Agora não sei o que fazer, estou com uma espécie de cadáver dentro de mim. Será que existe serviço funerário para esse tipo de morte.
Imaginem a cena:
- Alô, é da funerária que cuida de sentimentos mortos.
- Sim senhor, somos especialistas em retirar, encaixotar e enterrar sentimentos que morreram e não servem para mais nada.
- Se eu levar o cadáver até vocês sai mais barato?
- Não existe custo senhor, nosso pagamento é seu bem estar.

É evidente que a parte de não cobrar nada pelo serviço é pura ficção, desde quando alguém faz um serviço desses e não cobra nada. Eu cobraria!
Mas a questão não é essa, o fato é que tenho que retirar esse cadáver daqui. Tá começando a produzir mal cheiro, não por mim pois não sinto cheiro, mas pelos vizinhos que podem começar a desconfiar de algo.

“Estudiosos como Michel Vovelle concebem a morte de duas formas: a morte consumada e a morte vivida. A primeira consiste no fato bruto da mortalidade, cujo valor é difícil de ser apreciado, pois é determinado por vários referenciais como período histórico, localização geográfica, diferenças entre os sexos e faixas etárias. Já a morte vivida é a rede de gestos e rituais que acompanham o morto e seus familiares desde o percurso da última enfermidade até a agonia do túmulo.”

A morte consumada neste caso não teve efeito muito drástico, mas a morte vivida…
essa sim vinha me atormentando há muito tempo. Todo o processo de desligamento que vem ocorrendo desde a última enfermidade estava sendo muito doloroso. Acho que na verdade essa morte que ocorreu aqui dentro tem um algoz. Eu mesmo. Sou o assassino que segurava a vontade e necessidade de matar pelo simples prazer da observação. Mas hoje a coisa foi diferente. Acordei, senti esse sentimento agonizante e sem pestanejar dei o tiro de misericórdia. E como sou o assassino, cuidarei sozinho desse cadáver. Assim não deixo pistas para a polícia e saio ileso deste assassinato tão terrível que cometi há menos de 1 hora atrás.

Jack

A árvore vermelha no meio do caminho…


Tem uma trilha no meio da serra onde ainda existem as tão raras árvores vermelhas, seres de tempos imemoriais, que por uma característica específica possuem o caule da cor vermelha que é extremamente gelado. É um ótimo sinal encontrá-las na beira da trilha, significa que foi presenteado pelo espírito da floresta e pode parar para descansar com total sossego. Uma maneira de recarregar as energias consiste em simplesmente abraçar a árvore de modo que seu corpo fique completamente grudado a ela. Depois desse ritual você ganha mais umas duas horas de energia extra para continuar, pode ser que mais pra frente ainda encontre outra, então é só parar e repetir a dose.

Ilustre Botânica

É curioso como existem coisas que ainda não compreendemos, uma delas é a comunicação com as plantas. Estudos universitários de botânica revelaram que ao colocarmos sensores iguais aos usados para detectar mentira em humanos, nos filodendros de uma planta, consegue-se obter resultados no mínimo curiosos. Um grupo de botânicos combinou que colocaria algumas plantas numa sala, ligadas aos tais sensores . De noite, alguém do grupo escolhido por um sorteio secreto, entraria sorrateiramente e mataria uma das plantas. De manhã o grupo inteiro se encontraria e um a um chegariam perto das plantas, na vez do assasino os sensores dispararam e indicaram estado pleno de agitação de todas as funções das plantas. Elas entraram em pânico!
Será que prenderam esse assasino? Queria ver sua cara, poderia falar-lhe poucas e boas. Onde já se viu, assasinar uma planta só para um teste desses!

Será que as árvores vermelhas que encontro em minhas caminhadas na serra do mar lembram de mim toda as vezes que nos vemos? Quantas coisas poderiam contar se pudessem falar nossa língua. Espero um dia ter a capacidade de conversar com elas, quem sabe não aprendo como era o mundo quando todos os seres ainda viviam em harmonia com a natureza, onde um desma-tamento só ocorria por ordem natural e tanto a água como o ar eram as coisas mais limpas do planeta. Como elas eram alegres nessa época…

Jack

Do Bep-bop ao Third Stream…


Charlie Parker que me perdoe, mas o surgimento do estilo cool foi essencial para que o Jazz tomasse um rumo mais harmônico e cerebral do que aqueles solos e síncopas nervosas do bep-bop que tanto me irritam. É como se o disco girasse numa rotação superior, coisa para virtuoses e neuróticos. Graças a Miles Davis, que também deve ter se irritado com isso, a harmonia volta a ser resgatada e só assim voltamos a ter contato com esse som maravilhoso do verdadeiro Jazz.
Foi Miles Davis que mais tarde inovou e ajudou a criar o Fusion ou Jazz Rock, controverso entre os Jazzistas, mas de extremo bom gosto comparado ao Bep-bop. É claro que esse estilo foi corrompido com o surgimento de sintetizadores eletrônicos e coisas do tipo. Mas tanto Miles como Charlie eram músicos além de seu tempo e continuaram a ajudar na evolução do Jazz, resgatando mais uma vez a verdadeira essência com o estilo Third Stream, onde se encaixa o incrível Dave Brubeck. Que maravilha fizeram eles, uniram de vez a música clássica ocidental com o Jazz de raiz rítmica.
Conta a lenda que esses grandes músicos de Jazz sempre brincaram com a união da música clássica ao improviso do Jazz, mas isso sempre foi som para poucos. Eles se reuniam em grupos, tocavam uma peça clássica e cada um tinha o seu momento de improvisação, devendo voltar a peça clássica no tempo certo. Os que não conseguiam esse feito paravam de tocar e ficavam de fora da roda só escutando os que realmente conheciam da arte… Quem me dera estar sentado num lugar desses tomando um belo copo de wisky e apreciando a verdadeira essência deste estilo musical tão maravilhoso.

Jack

Vizinhos de janela


Tem um esquilo que mora na araucária, que fica de frente para minha janela, que insite em me espiar umas 3 vezes por dia. Ou será que sou eu a espiá-lo? Fico imaginando a vida maluca que vive lá em cima de uma araucária de 25 metros de altura. Ventos fortes, chuvas e frio devem ser uma constante agora no inverno. Ontem pensei em convidá-lo para tomar um café, mas acho que ele não viria. Primeiro porque teria que atravessar a rua e subir as escadas e segundo porque esquilos não tomam café com humanos. Mas gostaria muito de bater um papo com ele. Me pareceu ser um sujeito interessante. Dia desses ainda escalo aquela araucária e chego de surpresa, quem sabe faço amizade e o convenço a tomar um café comigo. Afinal, vizinhos são para essas coisas…

Jack

Sobre pedras e flores

Algumas coisas sempre me deixaram incrivelmente impressionado. Uma delas é a capacidade que a flores tem de serem tão bonitas. Simplesmente nascem, crescem e ficam bonitas. Como invejo esses seres vegetais que com tão pouco conseguem tanta beleza. Basta a terra, a água e sol. Acho que os vegetais são seres mais evoluídos do que nós. As pedras talvez sejam mais evoluídas ainda, não precisam de nada. Simplesmete existem e é nisso que está sua beleza. Não sei se vocês gostam de pedras, eu gosto. Sempre que vou até a montanha observo algumas de minhas pedras preferidas. Converso com elas, pergunto o que viram. Mas elas nunca respondem, ficam ali paradas me olhando com um olhar sereno. Às vezes acho que sentem pena de mim. Sabem que meu tempo aqui é curto. Mas não ligo muito para o que pensam. Ligo para sua beleza estática, para o seu simples existir. Tem vezes que uma dessas flores nasce numa dessas pedras, dai o espetáculo fica completo. Dois seres perfeitos se ajudando de alguma forma. A flor procurando um lugar alto e seguro e a pedra querendo ficar mais bonita do que já é. Como a natureza é bela em sua forma simples, nunca cansarei de observá-la com meus olhos de criança.

Jack

Caminhada – Hermann Hesse

“Hoje à noite pedirei para fritarem alguns peixes e os comerei, bebendo bastante vinho tinto da região, assim faremos o mundo brilhar novamente e acharemos a vida mais suportável. Para não mais ver e ouvir essa chuva morna, acenderemos o fogo na lareira da taberna, fumarei um longo charuto Brissago e olharei meu copo de vinho contra as chamas fazendo-o brilhar como sangue, certamente faremos isso e então a noite há de passar, conseguirei dormir e amanhã será tudo diferente. Os pingos da chuva caem sobre a água da praia, um vento frio e úmido agita as árvores molhadas que reluzem como peixes mortos. O diabo entornara o caldo, nada mais está certo e afinado, nada mais alegra e aquece, tudo parece vazio e triste, estragado, os tons desafinados e as cores falsas. Bem que sei por que tudo está assim. Não é por causa do vinho que eu bebi ontem, nem da cama incômoda em que dormi, nem por causa do tempo chuvoso. Foram os diabos que passaram por aqui e desafinaram corda por corda em meu ser.”

Adoro esse fragmento da caminhada, Hesse é um escritor que consegue falar tão bem desse vazio que nós humanos sentimos de vez em quando. Tenho a impressão de que seus livros foram escritos seguindo a ordem de sua evolução espiritual. Percebe-se a cada livro como ele está diferente. Podemos perceber isso em Sidarta, onde ele encontra no Budismo várias explicações para o sofrimento humano e de certa forma mostra o que devemos fazer para se libertar desses sofrimentos e angústias. Dos livros que li, “O lobo da Estepe” foi de longe o melhor, livro escrito para um número seleto de leitores e que causou mudanças significaticas em meu ser. Como diria Hesse: Um livro para loucos…

Visão Budista de um cético religioso

Ando um pouco cansado de procurar não sei o que. Acho que quando procuramos algo esse algo fica cada vez mais distante. Tento ficar calado para poder pensar…, Chego a conclusão de que tudo sempre aconteceu como deveria acontecer, isso é um fato. Mas agora o imprevisível me roubou dos braços da certeza para finalmente ter com ele, não respondo mais por mim nem pelos outros. Já desisti há tempos de tentar mudar o mundo e de ajudar as pessoas que chego até a esquecer como eram aqueles sentimentos e atos de solidariedade para com o próximo. É claro que ainda me importo com o sofrimento alheio, só não consigo mais me preocupar com o ato em si. Acho que preciso ajudar a mim mesmo. Ironia, a revolução começa onde tudo sempre esteve e estará. Somos tão ligados ao que complementa nosso ser, a nossa alma gêmea, que acabamos tontos de tanta necessidade dela ao nosso lado. Será que existe essa tal de alma gêmea? Às vezes chego a duvidar, mas é só encontrar alguém que acende nossas faíscas internas e pronto! Voltamos a acreditar e até a teorizar sobre as almas gêmeas. Nós humanos somos engraçados, acreditamos tanto em algo externo que irá nos salvar que ficamos cegos para nós mesmos. O segredo está aqui dentro, disso tenho certeza. Mas como é difícil aceitar isso. Parece tão simples e ao mesmo tempo tão complicado. Passo a acreditar em reencarnação, uma desculpa para os males da humanidade. Estamos aqui para pagar nossa dívida com nós mesmos e só seremos felizes se realizarmos nossos desejos mais profundos enquanto ainda estivermos vivos. E viver bem é uma arte, nunca esqueça disso.

Jack

O suave cheiro do ar…

A última lembrança que tenho de algum cheiro não estimulado quimicamente é de quando tinha seis anos de idade. Foi numa tarde de sábado, quando meus pais decidiram matar algumas galinhas de nosso pequeno galinheiro. Até ai tudo bem, pois cresci freqüentando fazendas de tios onde o início da festança era a matança do porco. Participei de três delas e sempre achei tudo aquilo muito divertido. O homem mais velho e experiente do grupo era escolhido para desfechar o golpe que mataria a pobre criatura. Logo após o óbito do bicho, o restante dos homens partia para cima do animal para começar a limpeza (inclusive eu que tinha apenas seis anos). Essas cenas nunca me assustaram, nem a cena da morte das galinhas. Acho que o problema começou quando meus pais resolveram tirar as penas das falecidas aves. No interior eles usam água quente para que as penas se desprendam mais facilmente e como meus pais eram de lá, faziam o mesmo. Só que nessa tarde inesquecível de sábado eles resolveram fazer isso na minha antiga banheira de bebê cor-de-rosa, que já estava aposentada há algum tempo e também foi usada por minha irmã. Ferveram uma panela grande de água e começaram a despenar as coitadas, eu me encontrava parado ao lado dessa cena e consigo lembrar até hoje daquele cheiro horrível que me causou uma lesão físico-psicológica que acabou de vez com meu olfato.
Demorei a perceber que minha falta de olfato provinha desse acontecimento, pois só fui tomar conta de que não sentia cheiro quando tinha uns quinze anos de idade. E só passei a me preocupar com isso quando tinha uns vinte e quatro anos. Acho que alguma porta no meu cérebro foi fechada naquele momento. Pois não tenho lembranças olfativas á partir dessa data. Procurei médico e terapeutas e o que consegui foram apenas alguns vislumbres de cheiros muito fortes como peixe e alho, mas não meu olfato, esse já está perdido há muito tempo.
Mas existe um fato que é muito interessante em tudo isso, meus outros sentidos são mais aguçados, menos o paladar, pois está diretamente ligado ao olfato. Minha audição é extremamente ampliada, escuta barulhos a uma distância incrível. Minha visão é ótima, mesmo trabalhando durante anos na frente de um computador, não falhou nenhuma vez.
E meu tato é extremamente sensível, fico excitado quando toco na pele de uma bela mulher, mais do que o normal, eu diria.
Acho que minha falta de olfato já não me incomoda mais como antigamente, os únicos momentos que lembro dessa minha deficiência física é quando algum amigo leva algo até meu nariz e diz: sente o cheiro! O que faço sempre é tentar sentir, quem sabe algum dia meu nariz pega no tranco e passo a sentir a existência dessa entidade invisível.

Jack

Cena tarantinesca do alto de um balão…

Ando pelas ruas buscando inspiração para fazer algo que nunca fiz mas que no fundo sempre desejei.
Estou atrás de um momento único e irreversível no plano histórico da minha vida. Penso que uma cena Tarantinesca cairia bem, é claro que somente se o sentimento de culpa me deixasse viver sem lembranças e arrependimentos. Mas pensando bem, mesmo que não existisse esse sentimento para me atormentar, ainda existiria o fato de ninguém poder saber nada sobre o ocorrido e isso elimina com a possibilidade de um ato desses. Qual seria a graça de tal ato se as pessoas não soubessem quem era o autor, com certeza a sensação de liberdade duraria muito pouco. Eu poderia levar alguém a fazer esse ato por mim, seria deveras interessante até um certo ponto. Mas o problema ainda continuaria, não seria eu a sentir o momento crucial de mudança e ruptura com os antigos valores. Por enquanto esse ato fica fora de questão, quem sabe daqui uns 20 anos faça mais sentido e eu já não me preocupe com o sentimento de culpa e nem com o estrelato. Vou fazer algo mais significativo para meu ser: atravessar a Antartica num balão em pleno inverno rigoroso. Só para tirar algumas fotos e ficar um pouco isolado do mundo. Isso sim é algo interessante que traz liberdade e auto-conhecimento. Quem sabe posso viver minha cena tarantinesca com alguma foca branca ou com uma orda de pinguins tomando sol. Bem, depois decido isso. Agora preciso arranjar urgentemente um balão…

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